Na verdade, investir na indústria química brasileira é uma boa ideia

Recentemente, as notícias sobre o ramo da indústria química brasileira não são as mais brilhantes já divulgadas. A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) divulgou no início de abril um relatório que expõe o resultado da balança comercial no setor. No primeiro trimestre de 2022, o saldo negativo foi de US$12,7 bilhões e o acumulado dos últimos doze meses é de US$50 bilhões. Este é o maior déficit já registrado na indústria química brasileira. E a perspectiva é que nos próximos meses, a balança comercial brasileira continue cada vez mais deficitária.

    O mercado brasileiro está se tornando mais dependente da importação de matéria prima para a sustentar as atividades da indústria química nacional. Associado a isso está o célere aumento dos preços de insumos e commodities, impulsionados por um aumento de mais de 140% nos intermediários de fertilizantes. 

    Para o investidor que busca resultados imediatos, pode não parecer uma boa no momento investir no ramo. Mas para os investidores com visão a longo prazo, pode haver uma grande oportunidade a ser explorada dentro desse déficit comercial. 

De acordo com dados da Abiquim, a indústria química brasileira é a oitava maior do mundo e é responsável por 10% do nosso PIB industrial, ranqueando na terceira posição de maiores segmentos na manufatura. São mais de 2 milhões de empregos diretos e indiretos na indústria. Sem dúvidas é necessário à indústria química a retomada de incentivos e investimentos para que ocupe novamente a sua posição dentro da cadeia produtiva interna, sem que se abra mão do comércio exterior. Quanto maior a independência e autonomia da indústria, mais favoráveis serão nossas condições competitivas  — tanto no mercado interno quanto no externo. Apresentamos então algumas razões que demonstram que, na verdade, investir na indústria química brasileira é uma boa ideia. 

Permeabilidade

A indústria química está presente em grande parte das principais e mais lucrativas atividades financeiras brasileiras, como a agricultura, setor automotivo e eletroeletrônicos. 

Relações públicas

A Abiquim não tem medido esforços para divulgar a relevância do segmento dentro do PIB brasileiro. Através da elaboração de uma cartilha contendo propostas de curto, médio e longo prazo, os resultados esperados com a implantação dessas políticas representam até 2030 um acréscimo acumulado de mais de US$200 bilhões no PIB. 

Química 4.0

O conceito de indústria 4.0 expressa as inovações de melhoria de eficiência e produtividade através da integração de diferentes tecnologias como inteligência artificial e robótica. Isso representa uma mudança de paradigma tão significativa que tem sido chamada por especialista de “quarta revolução industrial”. O modelo de negócios do setor químico deve passar por sensíveis mudanças nos próximos anos que elevarão nossa indústria a um patamar de ator competitivo no mercado internacional.

Oportunidades

Com um mercado consumidor interno de grandeza expressiva, a indústria química tem uma grande demanda e inúmeras oportunidades de novos negócios. Há também uma excelente disponibilidade de matéria prima — o Brasil é atualmente o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, ocupa a 16ª posição no ranking internacional de reservas provadas de petróleo, além de determos conhecimento, técnica e competência para realizar internamente o refino de nossas matérias primas. Diante de novos cenários políticos, há ainda uma grande chance de fortalecimento do setor em parceria com organizações estatais.

Para saber mais sobre a indústria química atualmente, sugerimos a leitura da cartilha de 2018 da Abiquim e o boletim diário da associação, que traz informações de grande relevância para investidores e profissionais da área.

Foto de Tiago Drumond

Tiago Drumond

Diretor Comercial

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