Sucessão familiar no setor imobiliário: o caminho para a continuidade do negócio

Sucessão familiar, como a expressão sugere, é o processo pelo qual o comando de uma empresa passa de uma geração para a seguinte, com efeito simultâneo sobre a gestão, a sociedade e o patrimônio. No setor imobiliário, esse momento carrega um peso extra: os contratos de locação duram anos, a relação com proprietários e inquilinos foi construída pessoalmente pelo fundador e boa parte do conhecimento sobre imóveis, regiões e negociações nunca virou processo escrito.

A seguir, você entende o que está em jogo nessa transição, quais são os obstáculos mais frequentes e quais práticas ajudam a atravessá-la. A trajetória da Só Galpões, que chegou aos 45 anos com a segunda geração da família Drumond na direção, aparece neste texto como exemplo de um caminho possível e saudável. Acompanhe! 

O que é sucessão familiar e por que ela é decisiva no mercado imobiliário?

A sucessão familiar organiza três transferências que costumam ser confundidas: a da gestão, que define quem decide no dia a dia; a da propriedade, que define quem detém as cotas; e a da liderança simbólica, que define quem representa a empresa diante do mercado. Cada uma pode seguir um ritmo próprio, e tratá-las como se fossem uma só é um erro comum.

Quais são os modelos de transição mais usados?

  • O primeiro modelo mantém a família na operação, com herdeiros assumindo funções executivas.
  • O segundo separa os papéis: a família permanece na propriedade e no Conselho, enquanto executivos contratados tocam a gestão. 
  • O terceiro combina os dois arranjos, com alguns herdeiros na linha de frente e áreas específicas sob comando profissional. 
  • Existe, ainda, a rota da venda parcial ou total do negócio, que também é uma decisão sucessória legítima quando não há interesse ou preparo para a continuidade.

Não existe um modelo superior aos demais. A escolha depende do perfil dos sucessores, do tamanho da estrutura e do grau de maturidade dos processos internos. O que diferencia os casos bem-conduzidos é a clareza sobre qual arranjo foi adotado e por quê.

Por que o setor imobiliário exige um cuidado adicional?

Três características do segmento tornam a transição mais delicada. Vejamos:

  1. A duração dos compromissos: um contrato de locação de galpão pode atravessar mais de uma década, o que obriga o sucessor a honrar acordos que ele não negociou
  2. O peso do relacionamento pessoal, já que proprietários e locatários costumam confiar em nomes antes de confiar em empresas.
  3. A natureza do ativo. Imóveis são bens de alto valor unitário e baixa liquidez, e sua transmissão envolve tributos, registros e prazos que exigem preparo antecipado.

Vale lembrar que a reputação construída durante décadas influencia diretamente a valorização e a ocupação dos imóveis sob administração da empresa.

Esse perfil familiar, aliás, marcou historicamente todo o mercado de galpões no Brasil. Em reportagem publicada pela Forbes, o gerente da divisão industrial e logística da JLL descreveu o setor como um segmento por muito tempo tratado como difícil e bastante concentrado em famílias, cenário que vem mudando com a profissionalização recente.

Quais são os desafios mais comuns na sucessão de uma empresa imobiliária?

Os obstáculos raramente aparecem no organograma. Eles surgem nas conversas adiadas, nas decisões concentradas em uma única pessoa e na ausência de regras combinadas antes do momento de tensão.

Conflitos entre gerações e entre sócios

Fundadores e herdeiros costumam avaliar risco de formas diferentes. Quem construiu a empresa em cenários de instabilidade tende a proteger o que já funciona, enquanto quem chega depois enxerga oportunidade em mudar o que parece consolidado. 

Sem um espaço formal para essa discussão, a divergência migra do escritório para o ambiente familiar, onde nenhuma decisão empresarial deveria ser tomada.

Resistência à mudança e ao novo

Sistemas de gestão, presença digital, análise de dados de mercado e novos formatos contratuais alteram a rotina de quem trabalha do mesmo jeito há 30 anos. A resistência costuma vir menos da tecnologia em si e mais do receio de que a modernização apague o que deu certo. Tratar as duas coisas como complementares reduz boa parte do atrito.

Falta de preparo de quem vai assumir

Quando entra direto na cadeira principal, sem ter passado pelas áreas operacionais, o sucessor decide sobre um negócio que conhece apenas por relatórios. 

A Pesquisa Global de Empresas Familiares divulgada pela PwC, em março de 2026, com mais de 1.300 acionistas e líderes em mais de 60 territórios, mostra que apenas 25% dessas companhias registraram crescimento de dois dígitos nas vendas em 2025, contra 43% dois anos anteriores. O levantamento indica que resiliência, sozinha, deixou de bastar.

Ausência de planejamento formal

Fazer uma transição da empresa sem preparo trava contratos, atrasa repasses e expõe o negócio a disputas judiciais. Os números gerais de mortalidade empresarial ajudam a dimensionar o risco: segundo a pesquisa conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, seis a cada dez negócios brasileiros não chegam ao quinto ano de atividade.

A trajetória da Só Galpões: uma transição construída ao longo do tempo

A história da empresa apresenta um exemplo concreto de continuidade sem ruptura. Ela começa com uma percepção simples e segue, até aqui, com três irmãos dividindo áreas distintas do mesmo negócio.

Uma percepção que virou empresa em 1980

Ronald Drumond era professor universitário quando reparou que desde a caneta sobre a mesa, os móveis da sala, os tijolos da parede e quase todos os objetos ao seu redor haviam passado por um galpão antes de chegar às pessoas. 

Na época, procurar esse tipo de imóvel dependia de anúncios “soltos” e de indicações, sem ninguém que dominasse a fundo as exigências técnicas envolvidas. Ele transformou a lacuna em negócio e abriu a primeira imobiliária brasileira dedicada apenas a galpões.

A chegada da segunda geração

A transição aconteceu por etapas. Camila Drumond cresceu dentro do escritório do pai, graduou-se, trabalhou em uma grande empresa nacional e voltou mais madura para o negócio da família. Hoje, responde pela equipe interna de Locação e Vendas, além de carregar a memória e a cultura da casa. 

Tiago Drumond conduz a estratégia, o time comercial externo e grandes negócios. Possui mais de 20 anos de experiência no mercado corporativo e ampla vivência internacional. Tadeu Drumond, responde pelo Planejamento e pela Gestão Estratégica de Operações. Iniciou a carreira na Só Galpões, saiu para assumir a operação logística multinacional e retornou para assumir a estrutura que sustenta o crescimento da empresa.

Cada um assumiu um papel diferente dentro do mesmo propósito: encontrar espaço para que histórias nasçam, cresçam e se desenvolvam. A divisão de responsabilidades por competências ajudou a organizar a atuação da segunda geração e a reduzir a sobreposição de decisões.

O que mudou e o que permaneceu

Mudaram os processos, o alcance geográfico e o repertório de serviços, que passou a incluir operações built-to-suit, administração de carteira e leitura de tendências como a entrega de última milha e a pauta ambiental, social e de governança aplicada a imóveis. 

Permaneceram a especialização exclusiva em galpões e os três valores que a família trata como inegociáveis: transparência, confiança e competência.

Grande parte dos clientes chega à empresa por indicação de quem foi atendido, e há relações comerciais que ultrapassam 30 anos. Esse tipo de permanência é difícil de reconstruir depois de uma transição malfeita, e é justamente por isso que ele costuma ser o principal ativo em risco em uma sucessão.

Timeline da Sucessão familiar no setor imobiliário da Só Galpões1980 - Fundação por Ronald Drumond, com foco exclusivo em galpões
Anos 2000 - Entrada gradual da segunda geração pelas áreas operacionais
Hoje - Três sócios-diretores com áreas definidas: cultura e equipe, estratégia comercial e operações
Adiante - Manutenção do foco no segmento, com processos cada vez mais elaborados, atuação nacional, foco em inovação e tecnologia, mantendo a essência dos relacionamentos sólidos.

Boas práticas para conduzir uma sucessão familiar

Não existe fórmula única, mas há um conjunto de medidas que surge com frequência nos casos bem-resolvidos. Elas funcionam melhor quando aplicadas em conjunto e com antecedência.

Planejar cedo e comunicar com clareza

O melhor momento para desenhar a sucessão é aquele em que ninguém está com pressa. Definir critérios de entrada, funções, prazos e forma de remuneração antes de qualquer urgência evita decisões tomadas sob pressão. A comunicação precisa alcançar também a equipe, os clientes e os parceiros, porque silêncio nessa hora costuma ser preenchido por especulação.

Profissionalizar a gestão e estruturar a governança

Conselho consultivo, reuniões periódicas com pauta registrada, indicadores acompanhados e um acordo de sócios que trate de entrada, saída e resolução de divergências. O objetivo é retirar da esfera pessoal aquilo considerado decisão de negócio. Empresas que documentam processos transformam o conhecimento acumulado na cabeça dos sócios em algo replicável.

Preparar quem vai assumir

Passagem pelas áreas operacionais, experiência fora da empresa, formação específica e acompanhamento por um mentor interno ou externo. Quem já atendeu cliente, conferiu documentação e conduziu uma renegociação decide de outro jeito quando chega à direção. Esse preparo leva anos, o que reforça a importância de começar cedo.

Organizar a parte jurídica, tributária e patrimonial

A transmissão de patrimônio passou por mudanças relevantes. A Lei Complementar nº 227, de 13 de janeiro de 2026, que integra a regulamentação da reforma tributária, instituiu normas gerais para o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e consolidou a exigência de alíquotas progressivas conforme o valor transmitido, com teto fixado pelo Senado Federal e regulamentação a cargo de cada estado da Federação.

Na prática, isso significa que estruturas societárias, doações em vida, usufruto e demais instrumentos precisam ser revistos à luz das regras vigentes. Como o efeito varia conforme o estado, o valor do patrimônio e o formato da operação, a avaliação deve ser feita por advogados e contadores especializados. A Só Galpões atua na dimensão imobiliária do patrimônio e não presta análise jurídica ou tributária completa.

Tratar valores e cultura como parte da entrega

O que sustenta a confiança do mercado, durante gerações, é a coerência entre o que a empresa diz e o que ela faz quando a situação “aperta”. Registrar Missão, Visão e Valores ajuda, mas a transmissão real acontece no exemplo cotidiano da liderança.

Legado e continuidade no mercado de galpões

Em um segmento onde os contratos são longos, e os valores, altos, a permanência de uma empresa funciona como sinal de confiabilidade para proprietários, inquilinos e investidores. Quem administra patrimônio de terceiros precisa demonstrar que estará por perto no próximo ano e na década seguinte.

É por isso que a sucessão bem-conduzida deixa de ser um assunto interno da família e passa a ser argumento comercial. Ela informa ao mercado que a estrutura resiste à troca de comando, que existem processos, responsabilidades e mecanismos para preservar a continuidade dos compromissos assumidos.

Para quem avalia investir em galpões ou entregar a administração de um imóvel a terceiros, esta leitura pesa tanto quanto o número final da proposta.

FAQ: Sucessão familiar em empresas imobiliárias

1. Quais são os primeiros passos para iniciar uma sucessão familiar?

Comece por um diagnóstico honesto: quem tem interesse em assumir, quem tem preparo, como a propriedade está dividida e quais processos dependem exclusivamente do fundador. A partir daí, defina critérios de entrada, desenhe o cronograma da transição e formalize o acordo de sócios. Advogados e contadores especializados devem participar desde esta fase inicial.

2. Como reduzir o risco de conflitos familiares durante a transição?

Separando o espaço da família do espaço da empresa. Reuniões com pauta, atas e periodicidade definida evitam que decisões de negócio sejam discutidas em ambiente doméstico. Critérios objetivos para cargos, remuneração e distribuição de resultados também diminuem a margem para interpretação pessoal. Quando a divergência persiste, um mediador externo costuma destravar a conversa.

3. Qual a importância da governança em empresas familiares?

A governança cria regras que valem independentemente de quem está no comando. Conselho, acordo de sócios, indicadores acompanhados e processos documentados transformam decisões pessoais em decisões institucionais. Isso protege a empresa em momentos de tensão e dá previsibilidade a clientes, a fornecedores e a instituições financeiras.

4. O que a experiência da Só Galpões mostra sobre sucessão?

Ela torna evidente que a transição funciona melhor quando ocorre por etapas e por competências. Os três sócios-diretores da segunda geração passaram anos, dentro da operação, antes de assumir áreas próprias, e a divisão atual separa cultura e equipe, estratégia comercial e gestão de operações. O foco no segmento de galpões, mantido desde 1980, permaneceu como eixo de todas as decisões.

5. Como a Só Galpões pode apoiar famílias empresárias com imóveis?

Isso ocorre pelo lado imobiliário do patrimônio. A empresa avalia o posicionamento do imóvel, organiza a estratégia de locação ou venda, acompanha a administração e as garantias contratuais, os aspectos comerciais da relação contratual, com apoio jurídico especializado quando necessário. Esse apoio pode reduzir a exposição a determinados riscos de vacância e de gestão, sempre em conjunto com a orientação de profissionais das áreas jurídica e tributária.

Você está organizando a continuidade do negócio e da carteira de imóveis da família? Fale com a Só Galpões e entenda como a administração especializada pode dar previsibilidade ao seu patrimônio. Se o objetivo é rentabilizar um galpão parado, comece por anunciar o seu imóvel.

Foto de Tiago Drumond

Tiago Drumond

Diretor Comercial

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